quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

10 bebidas alcoólicas populares na história


O etanol é um velho parceiro da humanidade. Praticamente cada povo, época e região soube obter etanol das fontes disponíveis de glicose e do manuseio inteligente do fungo saccaromyces cerevisae. O etanol é calmante e desfaz a autocensura. Como diziam os romanos: “no vinho, há verdade”. Portanto pode ser útil em conquista amorosa, em espionagem e na diplomacia.

Há vários fatos históricos e míticos relacionados ao etanol. Apesar de ser uma droga aceita socialmente, é problema de saúde publica, está por trás de muitos acidentes de carro, abusos contra mulheres e crianças e faltas ao trabalho. Além disso, o etanol é um excelente exemplo de que após descriminalizar uma droga, é praticamente impossível recriminalizá-la, vide o gangsterismo nos EUA após Crise de 1929 e Lei Seca.

Esta lista foi enviada pelo grande Klaus Provenzano.


1. Hidromel


A mais antiga bebida alcoólica parece ser o hidromel. Desde Paleolítico, humanos notam que coisas imersas no mel custam a estragar. Isto porque no mel há duas condições que prejudicam a multiplicação de fungos e bactérias: alta osmolaridade e presença de antibóticos naturais. Mas, bastando diluí-lo em água e esperar, obtém-se, da fermentaçao do mel, o etanol. Além de ser consumida em Roma e na Grécia Antiga, outras culturas antigas consumidoras desta bebida foram os celtas, os saxões e os vikings. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos maias. Na Mitologia Nórdica, o hidromel aparecia como a bebida favorita dos deuses.

Produto fermentado: mel


2. Cerveja


Da fermentaçao da cevada, os antigo egípcios produziram várias cervejas que apreciavam ao ponto de chamá-las de pão líquido e considerarem artigo de cesta básica. Egípcios já conheciam  a cerveja loira, a morena e a ruiva. Uma das cervejas vermelhas egípcias era chamada de “aquela-que-parou-Sekmet”, uma menção ao mito que a deusa-leoa, viciada em sangue, só interrompeu sua missão de extinguir a humanidade quando foi embriagada por seu irmão, o deus Thot. A cerveja do mundo mediterrâneo alcançou o mundo celto-germano, onde disputou como hidromel a preferência. Uma cervejaria em Munique foi palco da primeira tentativa de Hitler tomar o poder. E também foi em uma cervejaria na mesma cidade a tentativa frustrada de matar o ditador alemão.

Produto fermentado: cevada


3. Vinho


Da fermentação da uva, típica trepadeira do clima mediterrâneo, surge o emblemático vinho que marcou diversos eventos históricos. O verão seco do clima desidrata a uva e a torna mais doce. Provavelmente criado pelos sumérios, ele aparece em mitos do dilúvio, paralelos a Torá. O consumo de vinho entre greco-romanos no dia-a-dia envolvia colocar água para manter a lucidez da conversa. A proporção era ditada pelo anfitrião e o vinho era diluído em uma cratera (buraco no centro da sala ou grande recipiente, do qual todos se serviam). Quando o vinho alcançou o mundo celto-germano regado a hidromel e cerveja, o vinho fez grande sucesso sem a diluição. Por isso, os greco-romanos diziam que tomar vinho não-diluido fora das festas religiosas era costume bárbaro.

Produto fermentado: uva


4. Saquê


Obtido da fermentação do arroz, o saquê começa sua conquista do Japão junto com o próprio arroz ainda no Período Yamato. O arroz já havia conquistado as lavouras da China do sul onde substituiu o painço e o trigo. O arroz é uma erva do pântano e exige um clima muito mais úmido, ele é nativo do Sudeste Asiático e de lá foi transplantado para o Sul da China e para a bacia do Ganges por humanos. A Índia védica e a China han deveriam ter suas próprias versões de saquê. Os povos do Extremo Oriente tem genes que determinam a acetilação (destruição do etanol pelo corpo do usuário) mais lenta, o que explica sua forte reação corando suas faces e a embriaguez mais intensa e prolongada com menores doses.

Produto fermentado: arroz


5. Arake


O arake é obtido da fermentação da cana-de-açúcar, seguida de sua destilação e tempero de baunilha. A cana também é nativa dos pântanos do sudeste asiático. Foi levada para o pantanoso Baixo Egito por Alexandre Magno, onde era conhecida como mel vegetal. Os islâmicos conquistaram o Egito no século VII e desenvolveram a alquimia. A alquimia é a precursora da ciência química. O destilador ou alambique já era conhecido dos gregos de Alexandria. Com vidraria especial, aquece-se a mistura de fluidos, cujos componentes tem diferentes pontos de ebulição. Captura-se rápido os vapores (espíritos) desprendidos sequencialmente e resfria-se cada um deles rapidamente pela contra-passagem de água fria. Mas foram os árabes que usaram o alambique (palavra árabe) para obter álcool (outra palavra árabe).

Produto fermentado: cana-de-açúcar


6. Whisky


Etanol destilado, pode ser obtido de trigo e outros grãos, tipicamente plantados na Europa Ocidental e depois envelhecido em barris de carvalho. Técnica árabe, foi adotada por monges italianos e é descrita por Ramon Lull, pensador cristão das Baleares. A bebida era conhecida como “água da vida”, com fins medicinais (permitia a adoção de procedimentos dolorosos). A bebida logo passou a uso dos cirurgiões barbeiros e, na Escócia do século XV, passou a ser usada mais indiscriminadamente. A celtização da “água vital” originou a palavra whisky. Entre os whiskys , o mais famoso é o escocês (daí o nome Scotsh) e, como admite mistura de plantas para fazer o malte (o amido pré-digerido antes de fermentar), também é conhecido como blended. O whisky é muito usado para combater a sensação de frio, mas, na verdade, induz a uma perigosa hipotermia. Assim, mantenha-se agasalhado se for beber whisky no frio.

Produto fermentado: trigo e outros grãos


7. Airag


Os mongóis tinham uma vida quase totalmente dependente de seus rebanhos, com pouquíssima agricultura. Portanto, sua fonte de etanol foi o leite de égua fermentado. Acetiladores lentos, algumas decisões políticas errôneas dentro da família imperial foram tomadas sob “espírito do etanol”. Após conquistarem a Pérsia e a China, rapidamente trocaram o airag por vinhos, arakes, saquês e cervejas. Antes deles, os hunos também deviam fazer uso pesado do airag, mas foi o vinho romano que matou o grande Átila aos pouquinhos. O alcoolismo crônico pode destruir o fígado e outros órgãos. A destruição do fígado leva a formação de grossas varizes no esôfago. Átila, durante a lua-de-mel, vomitou sangue e se afogou nele. Uma consequência do alcoolismo agudo (vômito com engasgo) com a do crônico (rotura das varizes). Uma morte nada glamorosa, segundo autores de hoje. Uma morte justa, segundo autores cristãos da época.

Produto fermentado: leite


8. Vodka



É outro destilado. Aqui o etanol é obtido da batata.  A batata é um tubérculo nativo das regiões frias dos Andes. Ela pode estocar muita água para aguentar períodos de seca, mas germina fácil, com a mais leve umidade. Era o alimento dos povos andinos. Os espanhóis levaram a batata para a Europa, onde prosperou em diversas montanhas, como os Apeninos, Alpes, Pirineus, Montanhas Irlandesas e Urais e causou um grande boom populacional, com consequência importante para história europeia a partir de Napoleão. Um fungo acabou sendo transplantado dos Andes para a Irlanda, provocando grande fome e emigração para os EUA. A batata somente fermentada não produzia etanol de qualidade porque tinha alto teor de água e estragava fácil, com bactérias competidoras do fungo saccaromyces. Nos Urais, os russos resolveram destilar a batata fermentada, produzindo a bebida com maior teor de etanol de todas.

Produto fermentado: batata


9. Tequila


Na Mesoamérica dos maias e astecas, prosperava um parente da batata, o tomate, que não se prestou à base de nenhuma bebida alcoólica, apenas como algo para dar sabor (o famoso Bloody Mary, referência à vida e à morte da rainha anglo-escocesa Maria). Mas aqueles povos fermentavam o cacto agave-azul, obtendo a famosa tequila, que também foi turbinada pela destilaçao vinda da Eurásia. A tequila é um problema de saúde coletiva antigo no México. Pelas leis mexicanas, a tequila pode ser produzida apenas no estado de Jalisco e em regiões limitadas de Guanajuato, Michoacán, Nayarit, e Tamaulipas. O México clama o direito internacional exclusivo da palavra “tequila”, ameaçando ações legais contra produtores de destilados de agave-azul em outros países.

Produto fermentado: cacto agave-azul


10. Cachaça


A cachaça é uma bebida de grande importância cultural, social e econômica para o Brasil, e está relacionada diretamente ao início da colonização do País e à atividade açucareira. A geração inicial de colonizadores apreciava a bagaceira portuguesa e o vinho do porto. Assim como a alimentação, toda bebida era importada da metrópole. Em algum engenho é descoberto o vinho de cana-de-açúcar, que é o resultado do caldo de cana fermentado, como também dos subprodutos da produção do açúcar, como as espumas e o melaço misturados à água. É uma bebida limpa, em comparação com o cauim – vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho. Os senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado cagaça, para os escravos.

Produto fermentado: cana-de-açúcar



Fonte: História Digital



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